quinta-feira, 13 de junho de 2013

O triunfo dos Porcos (XXV)

A coisa passou-se lá para os confins do mundo, para além da terra média, estavam todos reunidos na pocilga, a comentar as incidências do dia e o que fazer a seguir, a coisa corria bem, as galinhas punham ovos todos os dias, havendo algumas que surpreendentemente davam dois ovos, as cabras e as vacas davam leite de sobra, agora que as rações foram diminuídas e as máquinas de tirar leite se mantinham ligadas mais tempo, um fenómeno comentava-se, mas ainda faltava fazer mais qualquer coisa.
Um pardal que andava por ali, ouviu um estranho dialogo:
Porco 1 – A coisa está a correr bem, praticamente já nada é nosso na pocilga, conforme tínhamos combinado, afinal o dinheiro faz-nos jeito.
Porco 2 – Depois da electricidade, dos correios (realmente não sei para que eram precisos carteiros na quinta), da companhia de aviação (outra…), falta a água e depois estamos despachados, não?
Porco 1 – Não sei, acho que se estão a esquecer de alguma coisa.
Porco 2 - ?, esquecer de quê?, não percebo.
Porco 3 – Não me digas que te esqueceste do que tínhamos conversado, quando a água estivesse entregue aos vizinhos da quinta do lado? Então não falta o ar?
Porco 1 – Vês? Ora aí está, então que dizes?
Porco 2 – Tem piada já nem me lembrava disso, mas, como vamos fazer para privatizar o ar? (?) !.
Porco 1 – É fácil, primeiro obrigamos o pessoal todo, galinheiros, estábulos etc a pagar uma taxa de utilização do ar, que virá escarrapacha na…
Porco 2 – Na factura da água (?)
Porco 1 – Exactamente, sem tirar nem pôr, depois será fácil aparecer um vizinho com uma quinta grande que queira explorar o ar da nossa quinta.
Porco 3 – E não haverá galinha nem vaca nem pardal que não tenha de pagar o ar que respira, genial.
Porco 1 – Pronto este é o próximo passo para a (nossa) felicidade da quinta e os papalvos vão gramar isto como ginjas.
Porco 3 – E acham que isso não dará bronca?
Porco 1 – Naaaa, são favas contadas, depois ameaçamos que não há dinheiro para comprar o milho para as galinhas ou a forragem e que é absolutamente necessário.
Pardal – Que ouvia a conversa, irra, estamos tramados, vou já avisar as galinhas e as vacas.
Entretanto, tudo se passou conforme planeado pelos porcos, a única dificuldade e também essa foi ultrapassada, era calcular o custo do ar, então, todos os animais foram obrigados a ir a um serviço especialmente criado para o efeito, medir o consumo de ar, pagando é claro a respectiva utilização da máquina, ficando assim a saber-se quanto é que se debitava de ar a cada animal.
Fim da história







2 comentários:

elvira carvalho disse...

E parece que ninguém dá por nada verdade?
Um abraço e valha-nos o Santo António.

Anónimo disse...

Privatizar a àgua já está em cima da mesa, só falta olharmos para o lado para eles assinarem. Acredito que o ar vá a seguir, mas esqueceste-te do sol. O que nos vale è que sem comer, sem àgua, e sem ar, já não precisamos do sol.
Joaquim José