sábado, 21 de setembro de 2013

Eu nunca minto

Quando era miúdo, para aí com uns 10 ou 11 anos, estávamos na Igreja da Ajuda, não era uma missa, devia ser uma preparação para as comunhões e profissão de fé, então devia estar a Igreja quase meia de crianças, o barulho era muito, o Padre Bastos queria que a sua voz se ouvisse e nada, então ele com o seu vozeirão, lançou para aquele barulho (todos falavam e riam), quem estiver a falar que se levante, esperou-se uma infinidade de tempo, até que eu via que ninguém se levantava, mas eu tinha falado e rido, levantei-me e esperei o pior, vou ser castigado, mas não, o Padre Bastos virou-se para mim e disse, então no meio de tanto barulho só tu é que falaste? Só tu é que assumiste o erro, pois fica a saber que fizeste uma boa acção e que te fica bem (as palavras não serão propriamente estas mas não me lembro bem) sei que fiquei todo inchado.

Inocências de criança.

Toda a vida ensinei os meus filhos a serem verdadeiros, a não mentir, serem honestos, verticais, dignos, hoje passados estes anos, não sei se eles ao verem o que se passa estarão muito contentes comigo, pois é tudo ao contrário, a mentira vence a verdade, a corrupção vence a honestidade, o mal vence o bem, não sei sequer se quem utiliza a ética como forma de vida, não estará em inferioridade perante aqueles que não respeitam nada, nem ninguém, perante os obstáculos.

Não sei.

1 comentário:

Carlos Tiago disse...

Como eu te entendo, amigo. O que eu já "perdi" e vou continuar a "perder" por isso mesmo. Foi assim que o saudoso Afonso me ensinou e é isso que eu tento transmitir aos meus. Passando para outro patamar, essa é uma das causas da nossa desgraça. Já lá vamos com quase quarenta anos de mentiras, atrás de mentiras e ainda hoje, é vê-los nas ruas propagandeando como se estivessem a dizer algo de novo. Também é verdade que só acredita, quem quer.