domingo, 30 de novembro de 2014

Na minha rua

Na minha rua
Quando eu era pequeno, na minha rua, a Travessa da Fé, ali em Peniche de Cima em frente à muralha, a vida fervilhava, pela manhã as crianças iam para a escola da Maria Mechas, aliás até ir para a escola primária, todos ali andávamos a aprender. No tempo da praia, logo pela manhã, levávamos pão quente por vezes com açúcar e azeite acabado de fazer na padaria do Ti Carlos Padeiro e da Ti Irene, o carro do Sr. Petinga era abastecido de tabaco para partir para distribuição, mais abaixo havia o curral do macho do Ti Carlos, no outro lado da rua a “menina” Sabina já havia saído para abrir a loja, os Borralhos viviam em frente a nossa casa, o Belmiro, o Carlos, o Joaquim e a Argentina, o Ti Joaquim Alves “Borralho” com a sua calma e altura, metia respeito, uma pessoa sempre educada, havia ainda a Lola e o Ti Pedro ao lado da minha casa, por baixo num grande rés-do-chão, o meu padrinho Jesuíno e a tia Conceição, ainda a prima São, pelo meio-dia a minha mãe ia à muralha chamar-me para o almoço, era a interrupção dos banhos e da vida da praia, que logo era retomada rapidamente, ainda a tempo de ficarmos a tomar conta eu o Zé Batista e outros, das lanchas dos homens que tinham vindo da pesca da Lula e iriam novamente para a faina, normalmente ficávamos com a do Ti Taitai, à tarde havia tempo para ouvir o Ti Vergílio e a sua corneta a anunciar os Sorvetes ou “Xirivetes” como nós os chamávamos. À noite, eram as brincadeiras de verão se era o caso, o jogo da mosca, entre outros, ir aos Besouros fora do portão. Dia sim, dia não ainda tinha de encher as bilhas de água na bica de Peniche de Cima e coloca-las no aparador. Em frente à nossa casa ainda havia a Lurdes e a sua filha Silvina e o marido, o Silvino Licotes, a rua do meu lado e a seguir ao curral morava a Ti Juvita e o Ti Amadeu que tinha lugar cativo no mesmo sitio da muralha para pescar, depois acabava na taberna da Tia Aida, antigamente como taberna do Churrilha, no outro lado o Ti Zé do Carmo e a Ti Leopoldina finalizavam a Travessa da Fé. Na minha casa o meu pai estaria a dormir à espera que o velho terra lhe viesse dar ordens para ir para o mar e a minha mãe fazia renda na sala de fora, com a minha avó Adelina e a minha Tia Violeta que morava ao nosso lado com o meu primo Francisco António e o Tio Afonso.
Era assim a minha rua naquele tempo.

4 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado Francisco por este regresso ao saudoso passado com que tanto também me identifico.
E a sensação desta memória não é apenas de vizinhança ou amizade, mas são laços e recordações de uma unida e vasta família que ali coexistiu.
Do "parente" da Travessa da Luz,
Jorge Paulino

Elvira Carvalho disse...

Uma rua fervilhante de vida que hoje parece deserta.
Um abraço e bom Domingo

Vitor Paiva disse...

Ola Chico, talvez te lembras que por cima do meu avo (Ze do Carmo)rua da boa viagem janela voltada para a Muralha morava o meu tio Armenio (maravilhas)e a milha tia Celeste e do lado da menina sabina onde ainda e´a porta, janela voltada para a travessa da fe moravam nos o meu pai Jose Alcantara milha mae a Preciosa e o meu irmao Ze ate´1969 . Um grande abraco e desculpa o meu português ja sao 42 anos que estou aqui.

Francisco Germano Vieira disse...

Obrigrado amigo Jorge, "parente" da Trav. da Luz. Vitor, claro que me lembro do teu pai e da tua mãe morarem por cima do teu avô Zé do Carmo, e da tua mãe Preciosa e devocês os dois irmãos, e do Arménio e da Celeste, mas com a voragem da escrita por vezes não vem à ideia todos, não é por mal, o Arménio estou muita vez com ele e a Celeste também vejo de vez em quando.
Grande abraço.