domingo, 18 de janeiro de 2015

Um poema de Ary dos Santos nos 31 anos do seu desaparecimento

Da condição humana

Todos sofremos. 
O mesmo ferro oculto 
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta 
O mesmo sal nos queima os olhos vivos. 
Em todos dorme 
A humanidade que nos foi imposta. 
Onde nos encontramos, divergimos. 
É por sermos iguais que nos esquecemos 
Que foi do mesmo sangue, 
Que foi do mesmo ventre que surgimos. 

Ary dos Santos in "Liturgia do sangue"

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