quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Parque Pedonal de Peniche

Chamemos-lhe assim, uma vez que ainda não tem nome. Fica à entrada da cidade e é um óptimo cartão de visita, que espero quando aquelas árvores estiverem crescidas ainda mais bonito vai ser. Estive hoje de manhã a dar a volta a este belo parque e aproveitei para tirar algumas fotos. Vale a pena mostrar, vale a pena aproveitar este equipamento que está à nossa disposição.
As imagens falam por si.










terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Urgências de Peniche

Ontem (hoje já de madrugada) no programa Prós e Contras transmitido na RTP, a pergunta do Presidente da Câmara de Peniche acerca da alteração da decisão de encerramento das urgências de Peniche, o que não estava contemplado primeiramente, e ainda confrontado o Sr. Ministro da Saúde com as especificidades quer de carácter sazonal como geográfico nomeadamente a zona de influencia marítima, o Sr. Ministro afirmou que:
Dadas as características apontadas tanto sazonais como da área marítima de responsabilidade de Peniche, assim como a boa qualidade de alguns serviços prestados no Hospital, tinham deliberado ter isso em conta e em principio essa unidade iria manter-se como está, até à construção de um novo Hospital Oeste - Norte, a abranger Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça, penso que foi mais ou menos isto.

Esta nova unidade deverá ser construída para os lados das Caldas da Rainha, penso eu.

Aguardemos pois o desenrolar dos acontecimentos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Novo Ano

Apetece perguntar que país é este, que só encerra e fecha, escolas, maternidades, urgências, hospitais, serviços do Estado, mas não podemos cair nessa tentação antes que nos venham dizer, pronto lá estão os velhos do Restelo, que não compreendem devido à sua pequenez intelectual que todas estas medidas são para bem do povo. O mesmo povo porque se foi eleito, o mesmo povo que enche as nossas bocas nos dias anteriores aos actos eleitorais. De facto não podemos embarcar na critica fácil, tudo isto está a ser pensado para o povo, por nós. Se o desemprego está a aumentar é porque também não sabemos interpretar as estatísticas, se a urgência de Peniche fecha é porque uma ambulância consegue fazer todo o trabalho de uma equipa de médicos e enfermeiros, nós é que não percebemos isto, nós o povo sem instrução suficiente não conseguimos perceber que uma ambulância com dois funcionários faz o trabalho de um hospital numa urgência. Por isso temos de ter algum cuidado nas criticas que fazemos sem medirmos bem o que estamos a dizer, eles estão a trabalhar por nós, é para isso que foram eleitos.

Por cá está tudo na mesma, a festa foi rija, porreiro pá.

sábado, 29 de dezembro de 2007

O Operário parado

Era um homem que ia muita vez, quase todos os dias, de camioneta para o pé da fabrica, seu antigo emprego, António de seu nome, trabalhou numa zona muito industrial, com estaleiros e fabricas e serviços, em dias de trabalho pelas 8 horas da manhã tudo aquilo fervilhava de gente era um curropio, centenas e centenas de empregados a caminho dos seus trabalhos. António tem 57 anos, veio do Alentejo nos anos 60/70 á procura de trabalho naquela zona, e conseguiu, fixou-se numa daquelas aldeias/cidades que se formaram rapidamente ao longo dos anos, que deram lugar a grandes torres, autênticos dormitórios da massa humana que se deslocava ordeiramente e maquinalmente a caminho dos grandes centros industriais. Mas o que fará este homem, pensa o porteiro da fábrica, já fora disto a vir aqui tanta vez?
António está já há seis meses no fundo de desemprego, houve uma altura em que o chamaram aos recursos humanos e negociaram a sua saída para, diziam, reorganizar a empresa, ele era soldador, seria velho? acertaram as contas e lá foi o nosso homem para casa.
Mas o que fazia este homem no dia a dia? as pessoas que viviam no prédio mal as conhecia, as compras eram feitas fora daquela zona de dormitório, amizades ali, poucas ou nenhumas a não ser os seus colegas de trabalho que também lá viviam, mas esses estavam a trabalhar durante toda a semana. Que fazer então? Terras de cultivo só lá no Alentejo na sua terrinha, os pais já falecidos chegaram a ter uma pequena terra onde se poderia entreter, mas já não tinha lá nada e ir para lá agora não podia, a sua vida estava ali, os seus dois filhos ali estavam naquela zona, a sua mulher felizmente ainda trabalhava no refeitório da mesma empresa já há vinte anos e não poderia largar tudo, logo agora que tinha uma quantia no banco, pudera, toda a vida trabalhara honestamente e já lá tinha a sua indemnização, agora era mas era descansar até tratar da reforma, já trabalhou muito. Mas os dias sucediam-se e o primeiro entusiasmo de estar parado foi dando lugar a alguma ansiedade, para alem do almoço que tinha de fazer os trabalhos eram poucos. Foi então que se lembrou de ir visitar os seus antigos companheiros á porta da fabrica, ali mesmo ao pé deles, ouvir-lhes as bocas acerca do governo, da forma como estava a ser gerida a empresa ou do Benfica e do Sporting, caramba ele tinha saudades disso, até quando estava no refeitório e o Sporting perdia e eles se metiam com ele, que saudades disso. E foi um dia e outro, e quando estava dois ou três dias sem ir á porta da fabrica, já sentia falta, á mesma hora que os amigos, ali mesmo, se eu pudesse entrar caramba, que bom que era.
António era um deslocado sem saber, o porteiro da empresa percebeu depois porque ele tinha de ir ali quase todos os dias, outros companheiros começaram a aparecer, também eles tinham ido para casa, estavam desenquadrados, uma vida de trabalho ali desenraizou-os, depois de conversarem um pouco lá seguiam cada um o seu destino para as suas casas onde pouca gente conheciam, até o porteiro já se metia com o António e já se despediam com um, até amanhã amigo.
(este texto é ficcional)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Naufrágio do Highland Hope em 19/11/1930


Em 19 de Novembro de 1930, no sitio conhecido por Bailadeira, no Farilhão Grande, encalhou o navio inglês Highland Hope, de 14 000 toneladas, que trazia 555 pessoas a bordo.
Devido ao nevoeiro, o navio rumou sobre os ilhéus e encravou a proa nos rochedos, não sendo possível evitar o seu afundamento.
À volta deste naufrágio muito se falou, naquela época, em comentários de imprensa. O certo é que os pescadores e a gente de Peniche não negaram o seu socorro, a sua hospitalidade, o seu carinho a ninguém. Muitos dos náufragos não trouxeram para terra mais que a roupa que traziam vestida na altura do alarme. Tudo perderam no mar; mas em Peniche, encontraram o conforto de que necessitavam, a roupa, a comida, a cama para repousar.
É possível que, na ocasião, tenham aparecido alguns indesejáveis oportunistas; mas foram os pequenos barcos de Peniche que, arrostando com perigos eminentes, salvaram, transportando para terra o meio milhar de náufragos do Highland Hope, atitude essa ratificada não só pelas cartas e telegramas recebidos pela Nelson Line, empresa armadora do barco naufragado e de E. Pinto Basto C.ª L.ª, seus representantes, como também pela visita feita a Peniche pelo próprio Embaixador de Inglaterra, com o intuito de premiar as tripulações das traineiras que haviam colaborado no salvamento dos náufragos e entregar um precioso donativo á Misericórdia.

Texto: "Peniche na História e na Lenda" 3ª edição pag. 400 a 401 de Mariano Calado

Mais informação aqui sobre o naufrágio do Highland Hope.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Em tempo de Natal


Estamos em tempo de Natal, nesta altura de consumismo exagerado, do pai natal nos centros comerciais, lembrei-me do tempo em que eu tinha para aí uns seis ou sete anos, nesse tempo, lá em casa não havia luz eléctrica, nem água canalizada, chegávamos ao natal e lembro-me da minha mãe me mandar pôr um sapato na chaminé, dizia ela que o menino Jesus ia lá colocar uma prenda. A cozinha era grande com sobrado de madeira e tinha uma chaminé antiga , penso que o presépio era muito pequenino, só com as peças básicas, a mais talvez só o burro e a vaca, vá. Presépio grande e bom era o da madrinha Conceição, era eu que apanhava o musgo no juncal. Jantávamos à luz de candeeiro a petróleo e assim o tal jantar de Natal que eu só mais tarde soube o que era acabava muito depressa, a mãe e a avó Adelina e penso que a tia Violeta, faziam as filhoses até mais tarde, e depois pronto ia tudo para a cama. No outro dia de manhã lembro-me de assim que raiava o dia ir ver o que estava no sapato, e lembro-me de uma vez ser uma bola, como eu fiquei contente.
Serve este pequeno texto para desejar a todos principalmente os que mais precisam, neste tempo global de dificuldades para tanta gente, os desempregados, os reformados com baixas reformas, os deserdados da sorte, os que sofrem da doença, os que não têm comer nem tecto para dormir, desejo também transmitir a todos os que visitam este sitio a minha solidariedade e o desejo de um Bom Ano de 2008.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Fausto - 25 anos de "Por este rio acima"


Fez 25 anos neste ano de 2007 que foi publicado aquele que para mim é um dos melhores trabalhos de musica portuguesa de todos os tempos. Não queria por isso deixar passar o ano sem lembrar este acontecimento. Baseado na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto este Trabalho chama-se Por este rio acima e é revelador da extraordinária qualidade de trabalho do Fausto.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Naufrágio do Fernando Ibarra 20/12/1943


(1)
Cerrado nevoeiro cobria todo o litoral, dificultando a navegação. E ia alta a madrugada de 20 de Dezembro de 1943 quando o mar, revolto, dando as mãos à névoa traiçoeira, atirou com o Fernando Ibarra - um barco espanhol, de 3308 toneladas, que fazia cabotagem entre os portos do norte e sul de Espanha - contra os penedos existentes entre o Baleal e o Vale de Janelas, ali mesmo onde já tantos outros barcos haviam encontrado os seus últimos dias, como se fora um lúgubre cemitério de navios.
Depositado sobre um banco de areia, imobilizado tragicamente, ao sabor das vagas, começou o Fernando Ibarra por ser açoitado, varrido de ponta a ponta, destroçado, impotente para livrar-se da sua difícil posição. A bordo encontravam-se algumas dezenas de homens que, a pouco mais de uma centena de metros da praia, viam a morte abrir-lhes os braços; que o mar, abatendo-se, cada vez mais violento, sobre o navio, não perdoava. Nenhum outro barco se podia aproximar sem correr o risco de despedaçar-se de encontro ao casco do Fernando Ibarra, enquanto de terra, tudo se tentava inutilmente.
E uma outra noite caiu, uma noite terrível cheia de medos e assombras, cortada de gritos impotentes, desesperados. Na praia, para darem alguma confiança aos náufragos, acenderam-se fogueiras, cujas labaredas como que desenhavam fantasmas de maus presságios. Chorava-se e rezava-se. A noite era um fogaréu de ansiedade. De madrugada, tentou-se então o lançamento de foguetes, a fim de se estabelecer comunicação com o barco colocando um cabo de vaivém. Um dos cabos prendeu-se, dois homens subiram para o cesto salvador; mas uma vaga enorme, brutal, abateu-se sobre eles, destroçando, num pronto, aquela esperança de salvamento.
Surgiu outra manhã. O Fernando Ibarra contava afundar-se, de um momento para o outro, pois até a ponte de comando fora já destruída. Foi então que, num ultimo acto de esperança, todos os homens se lançaram ao mar, tentando alcançar a praia. Saltaram, rebolaram por sobre as cristas das ondas, envolvidos em espuma, angustiados, enquanto na praia, se seguia ansiosamente o desenrolar da tragédia, olhos abertos a qualquer possibilidade de auxilio. Alguns homens - o José Olhinha, o Joaquim Cativo, o Teodoro Gomes, o Joaquim Comboio, o Pedro pescador, o Lúcio Freitas, heróicos pescadores de Peniche, lobos do mar que não temem a morte quando há companheiros em perigo de vida - , amarrando espias à cintura, entraram na água, lutaram desesperadamente contra as ondas, e salvaram um, dois, cinco, dez dos náufragos do Fernando Ibarra, que chegaram a terra exaustos, nus, uma tragédia nos olhos espantados, um soluço profundo a despedaçar-lhes o peito vergastado pela tormenta. mas outros - mais de vinte! - jamais conseguiriam vencer a força brutal do oceano esmagador, deixando-se arrastar no embalo sinistro das ondas, quem sabe se pensando nas mães, nas mulheres ou nos filhos que, na sua terra distante, os aguardariam, impacientes, para festejarem a ceia de natal... (2)

(1) - Ilustração livre feita para este post
(2) - texto de Mariano Calado em "Peniche na História e na Lenda"

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Parabéns Peniche


Completam-se hoje 18 de Dezembro, 20 anos em que foste elevada a cidade. É dia de festa portanto com palavras de circunstancia e justas homenagens, mas vejamos o que realmente mudou nos últimos 20 anos? Tens uma piscina municipal, tens um pavilhão municipal, estás a fazer uma nova biblioteca, tens uma nova Escola Superior de Tecnologia do Mar, tens uma linda entrada com passeio pedonal e muito arvoredo que há-de crescer, a tua entrada de Peniche de Cima está mais limpa e asseada, o teu transito infelizmente ainda não é regulado por semáforos, acho que és a única cidade do País assim, paciência, o emprego que tens para oferecer é o mesmo ou pior do que há 20 anos e isso está a obrigar a que os nossos filhos tenham de ir trabalhar para fora, eu sei que não é tua culpa estou só a apontar, tens mais pastelarias e mais agências imobiliárias, mas tens menos traineiras dentro do porto que pensávamos vir a ser o maior da zona centro, tens melhores estradas para vir para cá mas, também para sair, ainda tens problemas em que venham para cá grandes superfícies, eu sei és nova ainda, não percebes que se não vierem para cá vão para Lourinhã, Caldas, Torres Vedras e com a quantidade de emprego que há por cá isso é sempre bem vindo, dá a impressão que as orientações agora são que vamos definitivamente no caminho do turismo, (também não há industria) mas turismo não é só mais pastelarias e restaurantes, têm que ser politicas integradas e sustentadas, não vou apontar outros exemplos porque hoje é o dia do teu aniversário, dirás com alguma razão, é bom e fácil falar, o difícil é fazer, de acordo, por isso é que se elegem equipas autárquicas. Bem a nossa conversa já vai longa e tens de te preparar para a festa de logo á noite, não penses que estou zangado contigo, és a terra da minha vida, tens as vistas mais belas que se podem desfrutar á beira mar, assim o homem as saiba preservar. Adeus minha querida Peniche.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Uma visita ao Museu


Desloquei-me ontem a Lisboa e aproveitei para na companhia de uma das minhas filhas visitar o Museu Colecção Berardo, era uma visita que já estava agendada para quando houvesse ocasião e assim foi, podendo ou não estar de acordo com o processo de constituição deste museu no CCB, devo confessar que o conjunto de obras é vasto e riquíssimo, e constitui um rico património agora ao dispor dos Portugueses que se interessem por arte, por isso já sabem quem for apreciador de arte moderna e contemporanea se forem para aqueles lados não deixem de ver esta colecção, eu pessoalmente não sendo um devoto apreciador de arte moderna gostei do que vi e mais, depois deste tempo todo continuo a dar razão ao Santana Lopes quando mandou construir o CCB.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Exposição de Instrumentos Auxiliares de Navegação e Pesca


Finalmente publico um post sobre a exposição de Instrumentos Auxiliares de Navegação e Pesca de Estêvão Alexandre Henriques, e teria sempre de publicar algo acerca deste assunto por três razões, porque sou amigo do Estêvão, porque colaborei dando a minha pequena ajuda na organização e catalogação das peças a expor para também complementar o importante trabalho feito pelo amigo Meireles, porque em si mesmo é um facto digno de registo e importante realçar. O Estêvão conseguiu reunir um acervo de instrumentos de navegação, principalmente bússolas, talvez único em Portugal, tanto em quantidade como em género e isso é sempre de valorizar e dar o máximo realce. Quando um homem complementa parte da sua vida dedicada a juntar, reparar, melhorar, recuperar aparelhos alguns dos quais já estiveram no fundo do mar durante muito tempo, temos de o aplaudir, é isso que estou a fazer neste momento com muita sinceridade.







































segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Há Feira em Peniche

Dia de Feira em Peniche

É um dia diferente, o movimento em Peniche de Cima contrasta com a pacatez habitual destas paragens, o portão de Peniche de Cima é um desassossego, já nem o pessoal mais idoso consegue estar calmo, mas também gostam, entramos pela feira dentro e começamos a ouvir o barulho típico, “ aqui não há chinocas é tudo nacional”, 5 euros 5, tudo a 5 euros, mais há frente noutra tenda há uma pequena discussão, “ atão você acha queu venho pra cá roubar? 10 euros é demais? Ora querem lá ver, passe bem, há mais fregueses”, vamos numa rua e já ouvimos uns gritos estridentes 3 EUROS 3, TUDO a 3, CUECAS a 3 EUROS, olhei um pouquito para a banca dos sapatos e logo o feirante se aproximou insinuante, então freguês?, um sapatinho? Ou uma botinha, pode escolher, não há pressa, é só para ver, digo eu, que continuo descontraidamente, e assim vai passando o dia, um dia que apesar de ser Outono vai bonito, com um sol brilhante e uma temperatura amena. Amanhã tudo voltará ao normal, o campo da feira será limpo enfim das caixas de sapatos e de roupas que vão ficando no chão, Peniche de Cima voltará á sua vida normal, as visitas á praia do pessoal, as conversas do pessoal mais velho ao portão, a quietude das ruas voltará.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

SIMPLEX

Pequena história que retrata o avanço da desburocratização.

Fui tratar da renovação da carta de condução por motivo de mudança de residência / Freguesia no verão passado, assim fui ao PAC (Posto Atendimento Cidadão) sito na Câmara Municipal de Peniche e tratei da dita renovação, já antes como é lógico tinha tratado da renovação do BI, uma coisa a seguir a outra.

Passados 5 meses recebi uma carta em casa para me deslocar (?) á DGV de Leiria para levantar a carta com o meu BI.

Fui hoje ao PAC para saber se era mesmo assim, se no tempo do Dificultex a carta de condução vinha por correio para casa (em carta registada) e agora com o Simplex tinha de me deslocar a Leiria só para levantar um documento.

Disseram-me então que isso acontecia porque eu não tinha apresentado o BI no acto de renovar a carta (claro que não podia pois nesta altura já eu tinha um documento provisório substituto do BI). Aqui fica pois o alerta, cidadão amigo e paciente, se fordes renovar a vossa carta de condução levai já o BI novo (claro que o «antigo» não serve) mas como, dirão vocês? Não sei digo-vos eu. Pensando bem a única alternativa é andar com a carta de condução “ilegal” até vir o novo BI!... Será?

Bem, não sei, isto agora com o Simplex é um pouco mais confuso, aqui fica o aviso portanto.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Relendo o Eça

Há dias recebi um mail com o título “Ganda Eça” a que achei imensa piada.
E já agora que estou a reler o nosso Eça de Queiroz, não resisto a publicar uma passagem de “Os Maias”
...
Calou-se, trincando nervosamente o charuto. E Steinbroken, perante estas coisas políticas, começou logo a retrair-se para o fundo da janela, limpando os vidros da luneta, recolhido, já impenetrável, no grande recato neutral que competia á Finlândia. Ega no entanto não saía do seu espanto. Mas porque caía, porque caía assim um governo com maioria nas câmaras, sossego no país, o apoio do exército, a bênção da Igreja, a protecção do Comptoir d’Escompte?
O Gouvarinho correu devagar os dedos pela pêra, e murmurou esta razão:
- O Ministério estava gasto.
- Como uma vela de sebo?- exclamou Ega, rindo.
O Conde hesitou. Como uma vela de sebo não diria... Sebo subentendia obtusidade... Ora neste Ministério sobrava o talento. Incontestavelmente havia lá talentos pujantes...
- Essa é outra! – gritou Ega atirando os braços ao ar.
- É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos têm «imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injurias, têm, á parte os disparates que fazem, um «talento de primeira ordem»! Por outro lado a maioria admite que a oposição, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de «robustíssimos talentos»! De resto todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país é governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!
...
É claro que isto foi escrito no século XIX, não tem portanto nada a ver com o momento presente, para que não haja confusão.

domingo, 18 de novembro de 2007

O Sr. Américo


 Hoje vou escrever acerca do meu sogro, Américo Pereira Benedito.
Nasceu em Peniche por “acidente” em 1923, por acidente porque toda a sua família é do Algarve. Com meses de vida os pais foram para o Algarve, novamente, para Portimão e por lá ficou.
Depois de ter concluído a instrução primária foi para a profissão de marítimo mais concretamente de Atador de Redes, casou e do casamento nasceram duas filhas. Neste período jogou futebol no “Glória ou Morte” de Portimão. Foi para a Guiné onde esteve 2 anos trabalhando na mesma profissão. Veio para Peniche em 1959 com mulher e filhas, tentar a vida nestas paragens bem mais promissoras no que dizia respeito á pesca do que o Algarve.
Foi trabalhar como Atador para o “Benito” e a esposa foi para a Fábrica do Fialho. Apesar da vida dura e de parcos rendimentos de pescador conseguiu com que as filhas fossem estudar as duas para a Escola Industrial e Comercial onde concluíram os estudos. Paralelamente á actividade profissional foi Director de Campo do Grupo Desportivo de Peniche na década de 70. Depois do 25 de Abril foi dos primeiros pescadores a sindicalizar-se, aliás era o nº 1 do Sindicato dos Pescadores.
Durante todo este tempo foi fazendo redes para balizas (um dos seus passatempos) quer do Peniche quer de clubes distantes como o Portimonense e até para o Benfica graciosamente é claro, a propósito conto uma história com estas redes para a baliza do “seu” Benfica, depois de se ter esmerado a fazer as redes para as ditas balizas do clube da luz foi levá-las com outros amigos e entregou-as ao responsável da altura, nunca viu as suas redes serem utilizadas. Desiludido principalmente por vir do seu clube de coração uma vez que veio cá o sr. Manuel Damásio a um almoço organizado pela casa do Benfica aproximou-se do Sr e contou-lhe o sucedido ao que o Sr. Presidente o sossegou e disse que ía averiguar...
Também fez muitas redes para balizas de Hóquei, Andebol, Futebol de Salão para escolas, Pavilhões e outras associações.
Foi formador da Forpescas durante a década de 90, ajudando a formar dezenas e dezenas de alunos e alunas nas artes de rede de cerco, sendo ainda hoje reconhecido por muitos que hoje já são homens e mulheres devido ao seu bom carácter. No ano de 98 concorreu e ganhou a nível europeu um concurso de melhor trabalho “Modelo de arte de Pesca” – 1998 tendo apresentado o melhor trabalho, ganhando por isso o 1º prémio – Réplica do Astrolábio Português e assim como uma viagem a Bruxelas acompanhado por alguns alunos da sua turma. Este acontecimento relevante não só para ele mas também para o ensino da Arte na Forpescas nunca teve relevo quer no Jornal local como na Câmara Municipal de Peniche.
Entretanto como não gosta de estar parado apesar dos seus 84 anos vai fazendo trabalhos de miniaturas de redes e outros pequenos trabalhos que vai oferecendo quer a familiares quer a amigos.
Amigo do seu amigo, este é o resumo da história do meu sogro que eu queria registar neste meu espaço como uma pequena homenagem, no seu pequeno armazém lá continua a fazer as suas redes, em paz consigo próprio e a sua família.



segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ilhas


"... Os homens devem ser felizes diante deste espectáculo sempre igual e sempre renovado. De Inverno nenhum barco atraca ás Berlengas. Só e Deus no mais belo sítio da costa portuguesa!... Atrevo-me a falar a um velho musaranho, de focinho arreliador, que está metido no farol, de costas para o mar, fingindo que me não vê, a esfregar e a polir os metais reluzentes.
- Hem?...
- Hum!...
Rosna e não diz palavra que se entenda.
- Olá!
Olha-me com desprezo e continua a polir os metais já polidos, como se eu não existisse. Mas não desanimo facilmente e teimo:
- Que beleza han?!...
Toquei-o. O homem sacode os ombros, levanta-se, atira o pano fora, encara-me de frente, com os bigodes assanhados entre as rugas e um olho azul de faiança cheio de cólera:
- Que beleza o quê? Que beleza?... Isto?!... – E ri-se. -. O vento e o mar! Sempre o vento e o mar! O vento, que no Inverno não me deixa chegar á porta, e o mar todo o dia toda a noite a bramir! O mar desesperado, o vento desesperado... Eu não sou um faroleiro – sou um náufrago. Que beleza, hem?... Nem posso dormir! Nem dormir! Toda a noite o vento uiva, toda a noite o mar ecoa, ameaçando submergir esta ilha do diabo!"
Texto retirado de “Os Pescadores” de Raul Brandão
Quando cumpria o serviço militar estive algum (pouco) tempo nos Açores, e uma das coisas que me chamou mais a atenção foi o facto das pessoas terem uma personalidade muito própria diferente dos continentais, lembro-me por exemplo das raparigas que tinham um grande desejo com elas, sair rapidamente dali em direcção ao continente se possível para casar.
Peniche é quase uma ilha, não fosse esse pequeno istmo que dantes não existia e tínhamos o porto na Atouguia e ao longe avistava-se Peniche, uma bela ilha.
Penso que Peniche ainda não deixou de ser uma ilha, e os habitantes nunca deixaram de ser ilhéus. Desde muito novo habituei-me a ver pequenas ilhas em Peniche, Peniche de cima vs Peniche de baixo, mas havia mais ilhotas, o Clube, o célebre Clube Recreativo Penichense, sempre me foi ensinado que era só para ricos, ainda hoje, dou-me muito bem com a maior parte das pessoas que lá entram, de algumas até sou amigo e no entanto nunca perdi aquela ideia de que “é só para ricos”, e tenho alguma relutância em lá entrar, não me perguntem porquê, mas há mais ilhas, a sociedade está compartimentada em ilhazinhas, os marítimos, os terrestres, os do estado e dos bancos, os professores, os do comércio, os de cá e os rurais ou do concelho, Peniche 3, bairro da caixa, etc.
Toda a vida trabalhei fora de Peniche, saía ás 7 da manhã e entrava de noite, estive por isso afastado dessa realidade, não vou dizer se bem se mal.
Hoje estou cá, vejo mais alguma coisa do que via, apercebo-me de que, pouco mudou, em termos de mentalidade, de educação e formação, os empregos são escassos, existem 2 ou 3 empregadores em Peniche, os empregos camarários com ou sem concurso são sempre para os mesmos, pouco mudou, o cartão do partido, dos 3 partidos continua a valer muito, também neste campo todos procuram desde sempre não descurar o emprego para os naturais do concelho, o peso do voto assim obriga, a pesca definha, já nem absorve mão de obra, fazemos grandes parangonas com as realizações culturais e de mera diversão esquecendo-nos de fazer um crescimento sustentado da cultura, somos pacóvios até a dizer que somos muito bons naquilo que fazemos, a onda avassaladora de informatização da informação disponível para os cidadãos é quase como um pequeno “choque tecnológico” á Penicheira, mas o lastro é igual ao que era, gostava sinceramente de estar enganado, possivelmente já não conheço a realidade desta terra.
O 25 de Abril foi há 33 anos, os tempos mudaram, e muito, este não é um problema desta câmara nem da anterior nem da antes da anterior, é um problema de todos, autarcas, professores, empresários, cidadãos anónimos. A ver se não caímos no desabafo do faroleiro de Raul Brandão ao sentir-se “abafado” na ilha da Berlenga, não contemplando a beleza que o rodeia.
Ilhéus, temos de deixar de ser ilhéus.