quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Naufrágio do For Frida em 31/10/1962

Corria o ano de 1962 no dia 31 de Outubro, a nortada era muito forte e os barcos vieram arribados, António Sales e Manuel “Preto” vieram pelas 6 h da manhã para casa, normalmente passavam pela praia de Peniche de Cima, quando repararam na aflição de um iate desgovernado na baía a ir contra o cerro da praia, logo deram o alarme, acorreram homens e mulheres, juntaram-se homens, uns pertenciam á tripulação do salva vidas outros não, todos eram pescadores, enquanto os homens se prepararam, as mulheres iam pondo o salva vidas abaixo, o mestre do salva vidas não aparecia pelo que tinha de se tomar a responsabilidade e quem comandou o barco foi José Gabriel Rodrigues, pescador que também tinha vindo do mar devido ao temporal, e que acompanhado por António Sales “Palalas”, Manuel “Preto”, Luís da Pita, Silvino Chaves, Napoleão Almeida entre outros lá foram em socorro das pessoas aflitas.Viam-se 2 pessoas ainda dentro do iate, os vagalhões mandavam o iate contra as pedras do cerro, não havia tempo a perder, quando o salva vidas a remos chegou perto já os 2 homens estavam no mar com bóias, foram recolhidos com alguma dificuldade devido à fúria do mar, um deles estava ferido, mas todos regressaram a terra enquanto o iate For Frida se desfazia contra as pedras do cerro da praia.
O mestre improvisado José Gabriel Rodrigues ainda foi chamado por 2 vezes á Capitania para ser interrogado pelo Instituto de Socorros a Náufragos pois ele avançou sem autorização, mas tudo acabou em bem e todos os pescadores devido ao seu acto de bravura receberam um diploma e foram louvados, com publicação no Diário da Republica II série nº 185 de 7 de Agosto de 1963.
A tripulação do For Frida um iate Inglês era constituída por 2 indivíduos de nacionalidade inglesa. Esta foi a ultima acção levada a cabo pelo salva vidas de Peniche de Cima, hoje está no museu da Fortaleza e o edifício do Instituto está neste momento a ser utilizado por pessoal ligado á Marinha, penso que para férias mas não quero precisar, o aspecto do mesmo não é o melhor e não sei se não faria sentido ser aproveitado para as suas anteriores funções adaptadas aos tempos modernos ou a outras.
Edifício dos Socorros a Náufragos de Peniche de Cima no estado actual.
Em cima gravura feita a lápis sobre papel alusiva ao naufrágio.

Finalmente as urgências!

Felizmente, o Hospital de Peniche não vai perder o Serviço de Urgências, antes vai ser melhorado. Ainda bem, desde o primeiro momento que tomámos partido a favor da manutenção deste serviço essencial á nossa cidade, foi antes de mais uma vitória do povo de Peniche e também porque não dizê-lo um bom trabalho da autarquia na pessoa do seu Presidente. Até ao novo Hospital Oeste Norte estar pronto muita coisa ocorrerá, e depois se verá o que vai acontecer, se o povo estiver determinado e unido como desta vez, tenho a convicção de que Peniche não ficará sem o seu Serviço de Urgências Básicas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Serviço de Urgências de Peniche


A manutenção do Serviço de Urgências de Peniche é um tema que me é muito caro e a que tenho dado bastante atenção, recebi agora com agrado uma mensagem de alunos da Escola Secundária de Peniche a pedir a sua divulgação e aqui publico:


Olá!
Somos alunos da Escola Secundária de Peniche e estamos a desenvolver um projecto relacionado com o possível encerramento das urgências de Peniche.
Para tal precisamos da tua colaboração!
Procuramos histórias, testemunhos de situações em que as urgências de Peniche se revelaram fundamentais na salvação de vidas.
O objectivo é dar ênfase á continuação do funcionamento das urgências de Peniche pelo que se torna muito útil a tua participação.
Tens uma história a contar ou conheces alguém que a tenha?
Contacta-nos através do email: casos.urgencia@gmail.com
Contamos contigo.



Esta tinha de publicar





Desenho feito pela minha neta, o Avô e a Avó.

A Alice tem 3 anos e meio.

É delicioso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Um acordo leonino




Significado: Um «acordo leonino» é aquele em que um dos contratantes aceita condições desvantajosas em relação a outro contratante que fica em grande vantagem.

Origem: «Acordo leonino» é, pois, uma expressão retórica nomeadamente pelas fábulas em que o leão se revela como todo-poderoso.






Como se pode ver, antes do acordo entre o Governo da altura e a "Lusoponte" já existia esta fábula.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Uma manhã normal

Levanto-me e o dia é de sol, então vou dar uma volta ao Quebrado e á Muralha, aos sítios onde sempre fui em criança, e que agora estou a recuperar, como se fosse um ritual, ver o mar, conversar com ele, passar pelo Portão de Peniche de Cima, cumprimentar os amigos que estão por lá, dois dedos de conversa, ir á praia sentir o cheiro a maresia, são estas coisas simples que eu quero.
Volto a casa tenho um trabalho de bricolage para fazer e um desenho para acabar, sem pressas, vou fazendo, algumas coisas ponho aqui neste sitio, outras não, podem as pessoas não achar grande piada, mas há uma coisa que vos posso dizer, a minha neta, tem 3 anos e meio, mas derreto-me todo quando ela diz "Bô, eu gosto dos quados todos, este, este, este", isto sim, dá gosto viver para ouvir isto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Naufrágio do João Diogo em 08/01/1963

 No dia 8/1/1963 tinha eu uns 13 anos ouvimos algum alarido em Peniche de Cima pela manhã, com som de buzinas e muita gente a passar para o lado da Papôa, lá fui com mais malta ver o que se passava e verificámos o acontecido, pela madrugada talvez devido ao nevoeiro estava um navio pequeno encalhado na costa norte da Papôa, era um um navio de transporte de carvão, não houve acidentes pessoais só a perda do navio, e lembro-me ainda dos cabos passados entre a terra e o navio. O navio por lá ficou até ser destruído pelo mar, ainda hoje há vestígios, passados todos estes anos conforme mostra a foto que tirei não há muito tempo.

1) Foto do navio gentilmente cedida por Francicso António Bernardo

Foto com os restos da chaminé do navio que ainda hoje se podem encontrar.

Ota vs Alcochete

O Presidente da Câmara de Peniche esteve mais uma vez nos "Prós e Contras" da RTP, desta vez para dissertar e apoiar o aeroporto da Ota vs Alcochete.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Parque Pedonal de Peniche

Chamemos-lhe assim, uma vez que ainda não tem nome. Fica à entrada da cidade e é um óptimo cartão de visita, que espero quando aquelas árvores estiverem crescidas ainda mais bonito vai ser. Estive hoje de manhã a dar a volta a este belo parque e aproveitei para tirar algumas fotos. Vale a pena mostrar, vale a pena aproveitar este equipamento que está à nossa disposição.
As imagens falam por si.










terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Urgências de Peniche

Ontem (hoje já de madrugada) no programa Prós e Contras transmitido na RTP, a pergunta do Presidente da Câmara de Peniche acerca da alteração da decisão de encerramento das urgências de Peniche, o que não estava contemplado primeiramente, e ainda confrontado o Sr. Ministro da Saúde com as especificidades quer de carácter sazonal como geográfico nomeadamente a zona de influencia marítima, o Sr. Ministro afirmou que:
Dadas as características apontadas tanto sazonais como da área marítima de responsabilidade de Peniche, assim como a boa qualidade de alguns serviços prestados no Hospital, tinham deliberado ter isso em conta e em principio essa unidade iria manter-se como está, até à construção de um novo Hospital Oeste - Norte, a abranger Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça, penso que foi mais ou menos isto.

Esta nova unidade deverá ser construída para os lados das Caldas da Rainha, penso eu.

Aguardemos pois o desenrolar dos acontecimentos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Novo Ano

Apetece perguntar que país é este, que só encerra e fecha, escolas, maternidades, urgências, hospitais, serviços do Estado, mas não podemos cair nessa tentação antes que nos venham dizer, pronto lá estão os velhos do Restelo, que não compreendem devido à sua pequenez intelectual que todas estas medidas são para bem do povo. O mesmo povo porque se foi eleito, o mesmo povo que enche as nossas bocas nos dias anteriores aos actos eleitorais. De facto não podemos embarcar na critica fácil, tudo isto está a ser pensado para o povo, por nós. Se o desemprego está a aumentar é porque também não sabemos interpretar as estatísticas, se a urgência de Peniche fecha é porque uma ambulância consegue fazer todo o trabalho de uma equipa de médicos e enfermeiros, nós é que não percebemos isto, nós o povo sem instrução suficiente não conseguimos perceber que uma ambulância com dois funcionários faz o trabalho de um hospital numa urgência. Por isso temos de ter algum cuidado nas criticas que fazemos sem medirmos bem o que estamos a dizer, eles estão a trabalhar por nós, é para isso que foram eleitos.

Por cá está tudo na mesma, a festa foi rija, porreiro pá.

sábado, 29 de dezembro de 2007

O Operário parado

Era um homem que ia muita vez, quase todos os dias, de camioneta para o pé da fabrica, seu antigo emprego, António de seu nome, trabalhou numa zona muito industrial, com estaleiros e fabricas e serviços, em dias de trabalho pelas 8 horas da manhã tudo aquilo fervilhava de gente era um curropio, centenas e centenas de empregados a caminho dos seus trabalhos. António tem 57 anos, veio do Alentejo nos anos 60/70 á procura de trabalho naquela zona, e conseguiu, fixou-se numa daquelas aldeias/cidades que se formaram rapidamente ao longo dos anos, que deram lugar a grandes torres, autênticos dormitórios da massa humana que se deslocava ordeiramente e maquinalmente a caminho dos grandes centros industriais. Mas o que fará este homem, pensa o porteiro da fábrica, já fora disto a vir aqui tanta vez?
António está já há seis meses no fundo de desemprego, houve uma altura em que o chamaram aos recursos humanos e negociaram a sua saída para, diziam, reorganizar a empresa, ele era soldador, seria velho? acertaram as contas e lá foi o nosso homem para casa.
Mas o que fazia este homem no dia a dia? as pessoas que viviam no prédio mal as conhecia, as compras eram feitas fora daquela zona de dormitório, amizades ali, poucas ou nenhumas a não ser os seus colegas de trabalho que também lá viviam, mas esses estavam a trabalhar durante toda a semana. Que fazer então? Terras de cultivo só lá no Alentejo na sua terrinha, os pais já falecidos chegaram a ter uma pequena terra onde se poderia entreter, mas já não tinha lá nada e ir para lá agora não podia, a sua vida estava ali, os seus dois filhos ali estavam naquela zona, a sua mulher felizmente ainda trabalhava no refeitório da mesma empresa já há vinte anos e não poderia largar tudo, logo agora que tinha uma quantia no banco, pudera, toda a vida trabalhara honestamente e já lá tinha a sua indemnização, agora era mas era descansar até tratar da reforma, já trabalhou muito. Mas os dias sucediam-se e o primeiro entusiasmo de estar parado foi dando lugar a alguma ansiedade, para alem do almoço que tinha de fazer os trabalhos eram poucos. Foi então que se lembrou de ir visitar os seus antigos companheiros á porta da fabrica, ali mesmo ao pé deles, ouvir-lhes as bocas acerca do governo, da forma como estava a ser gerida a empresa ou do Benfica e do Sporting, caramba ele tinha saudades disso, até quando estava no refeitório e o Sporting perdia e eles se metiam com ele, que saudades disso. E foi um dia e outro, e quando estava dois ou três dias sem ir á porta da fabrica, já sentia falta, á mesma hora que os amigos, ali mesmo, se eu pudesse entrar caramba, que bom que era.
António era um deslocado sem saber, o porteiro da empresa percebeu depois porque ele tinha de ir ali quase todos os dias, outros companheiros começaram a aparecer, também eles tinham ido para casa, estavam desenquadrados, uma vida de trabalho ali desenraizou-os, depois de conversarem um pouco lá seguiam cada um o seu destino para as suas casas onde pouca gente conheciam, até o porteiro já se metia com o António e já se despediam com um, até amanhã amigo.
(este texto é ficcional)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Naufrágio do Highland Hope em 19/11/1930


Em 19 de Novembro de 1930, no sitio conhecido por Bailadeira, no Farilhão Grande, encalhou o navio inglês Highland Hope, de 14 000 toneladas, que trazia 555 pessoas a bordo.
Devido ao nevoeiro, o navio rumou sobre os ilhéus e encravou a proa nos rochedos, não sendo possível evitar o seu afundamento.
À volta deste naufrágio muito se falou, naquela época, em comentários de imprensa. O certo é que os pescadores e a gente de Peniche não negaram o seu socorro, a sua hospitalidade, o seu carinho a ninguém. Muitos dos náufragos não trouxeram para terra mais que a roupa que traziam vestida na altura do alarme. Tudo perderam no mar; mas em Peniche, encontraram o conforto de que necessitavam, a roupa, a comida, a cama para repousar.
É possível que, na ocasião, tenham aparecido alguns indesejáveis oportunistas; mas foram os pequenos barcos de Peniche que, arrostando com perigos eminentes, salvaram, transportando para terra o meio milhar de náufragos do Highland Hope, atitude essa ratificada não só pelas cartas e telegramas recebidos pela Nelson Line, empresa armadora do barco naufragado e de E. Pinto Basto C.ª L.ª, seus representantes, como também pela visita feita a Peniche pelo próprio Embaixador de Inglaterra, com o intuito de premiar as tripulações das traineiras que haviam colaborado no salvamento dos náufragos e entregar um precioso donativo á Misericórdia.

Texto: "Peniche na História e na Lenda" 3ª edição pag. 400 a 401 de Mariano Calado

Mais informação aqui sobre o naufrágio do Highland Hope.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Em tempo de Natal


Estamos em tempo de Natal, nesta altura de consumismo exagerado, do pai natal nos centros comerciais, lembrei-me do tempo em que eu tinha para aí uns seis ou sete anos, nesse tempo, lá em casa não havia luz eléctrica, nem água canalizada, chegávamos ao natal e lembro-me da minha mãe me mandar pôr um sapato na chaminé, dizia ela que o menino Jesus ia lá colocar uma prenda. A cozinha era grande com sobrado de madeira e tinha uma chaminé antiga , penso que o presépio era muito pequenino, só com as peças básicas, a mais talvez só o burro e a vaca, vá. Presépio grande e bom era o da madrinha Conceição, era eu que apanhava o musgo no juncal. Jantávamos à luz de candeeiro a petróleo e assim o tal jantar de Natal que eu só mais tarde soube o que era acabava muito depressa, a mãe e a avó Adelina e penso que a tia Violeta, faziam as filhoses até mais tarde, e depois pronto ia tudo para a cama. No outro dia de manhã lembro-me de assim que raiava o dia ir ver o que estava no sapato, e lembro-me de uma vez ser uma bola, como eu fiquei contente.
Serve este pequeno texto para desejar a todos principalmente os que mais precisam, neste tempo global de dificuldades para tanta gente, os desempregados, os reformados com baixas reformas, os deserdados da sorte, os que sofrem da doença, os que não têm comer nem tecto para dormir, desejo também transmitir a todos os que visitam este sitio a minha solidariedade e o desejo de um Bom Ano de 2008.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Fausto - 25 anos de "Por este rio acima"


Fez 25 anos neste ano de 2007 que foi publicado aquele que para mim é um dos melhores trabalhos de musica portuguesa de todos os tempos. Não queria por isso deixar passar o ano sem lembrar este acontecimento. Baseado na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto este Trabalho chama-se Por este rio acima e é revelador da extraordinária qualidade de trabalho do Fausto.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Naufrágio do Fernando Ibarra 20/12/1943


(1)
Cerrado nevoeiro cobria todo o litoral, dificultando a navegação. E ia alta a madrugada de 20 de Dezembro de 1943 quando o mar, revolto, dando as mãos à névoa traiçoeira, atirou com o Fernando Ibarra - um barco espanhol, de 3308 toneladas, que fazia cabotagem entre os portos do norte e sul de Espanha - contra os penedos existentes entre o Baleal e o Vale de Janelas, ali mesmo onde já tantos outros barcos haviam encontrado os seus últimos dias, como se fora um lúgubre cemitério de navios.
Depositado sobre um banco de areia, imobilizado tragicamente, ao sabor das vagas, começou o Fernando Ibarra por ser açoitado, varrido de ponta a ponta, destroçado, impotente para livrar-se da sua difícil posição. A bordo encontravam-se algumas dezenas de homens que, a pouco mais de uma centena de metros da praia, viam a morte abrir-lhes os braços; que o mar, abatendo-se, cada vez mais violento, sobre o navio, não perdoava. Nenhum outro barco se podia aproximar sem correr o risco de despedaçar-se de encontro ao casco do Fernando Ibarra, enquanto de terra, tudo se tentava inutilmente.
E uma outra noite caiu, uma noite terrível cheia de medos e assombras, cortada de gritos impotentes, desesperados. Na praia, para darem alguma confiança aos náufragos, acenderam-se fogueiras, cujas labaredas como que desenhavam fantasmas de maus presságios. Chorava-se e rezava-se. A noite era um fogaréu de ansiedade. De madrugada, tentou-se então o lançamento de foguetes, a fim de se estabelecer comunicação com o barco colocando um cabo de vaivém. Um dos cabos prendeu-se, dois homens subiram para o cesto salvador; mas uma vaga enorme, brutal, abateu-se sobre eles, destroçando, num pronto, aquela esperança de salvamento.
Surgiu outra manhã. O Fernando Ibarra contava afundar-se, de um momento para o outro, pois até a ponte de comando fora já destruída. Foi então que, num ultimo acto de esperança, todos os homens se lançaram ao mar, tentando alcançar a praia. Saltaram, rebolaram por sobre as cristas das ondas, envolvidos em espuma, angustiados, enquanto na praia, se seguia ansiosamente o desenrolar da tragédia, olhos abertos a qualquer possibilidade de auxilio. Alguns homens - o José Olhinha, o Joaquim Cativo, o Teodoro Gomes, o Joaquim Comboio, o Pedro pescador, o Lúcio Freitas, heróicos pescadores de Peniche, lobos do mar que não temem a morte quando há companheiros em perigo de vida - , amarrando espias à cintura, entraram na água, lutaram desesperadamente contra as ondas, e salvaram um, dois, cinco, dez dos náufragos do Fernando Ibarra, que chegaram a terra exaustos, nus, uma tragédia nos olhos espantados, um soluço profundo a despedaçar-lhes o peito vergastado pela tormenta. mas outros - mais de vinte! - jamais conseguiriam vencer a força brutal do oceano esmagador, deixando-se arrastar no embalo sinistro das ondas, quem sabe se pensando nas mães, nas mulheres ou nos filhos que, na sua terra distante, os aguardariam, impacientes, para festejarem a ceia de natal... (2)

(1) - Ilustração livre feita para este post
(2) - texto de Mariano Calado em "Peniche na História e na Lenda"

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Parabéns Peniche


Completam-se hoje 18 de Dezembro, 20 anos em que foste elevada a cidade. É dia de festa portanto com palavras de circunstancia e justas homenagens, mas vejamos o que realmente mudou nos últimos 20 anos? Tens uma piscina municipal, tens um pavilhão municipal, estás a fazer uma nova biblioteca, tens uma nova Escola Superior de Tecnologia do Mar, tens uma linda entrada com passeio pedonal e muito arvoredo que há-de crescer, a tua entrada de Peniche de Cima está mais limpa e asseada, o teu transito infelizmente ainda não é regulado por semáforos, acho que és a única cidade do País assim, paciência, o emprego que tens para oferecer é o mesmo ou pior do que há 20 anos e isso está a obrigar a que os nossos filhos tenham de ir trabalhar para fora, eu sei que não é tua culpa estou só a apontar, tens mais pastelarias e mais agências imobiliárias, mas tens menos traineiras dentro do porto que pensávamos vir a ser o maior da zona centro, tens melhores estradas para vir para cá mas, também para sair, ainda tens problemas em que venham para cá grandes superfícies, eu sei és nova ainda, não percebes que se não vierem para cá vão para Lourinhã, Caldas, Torres Vedras e com a quantidade de emprego que há por cá isso é sempre bem vindo, dá a impressão que as orientações agora são que vamos definitivamente no caminho do turismo, (também não há industria) mas turismo não é só mais pastelarias e restaurantes, têm que ser politicas integradas e sustentadas, não vou apontar outros exemplos porque hoje é o dia do teu aniversário, dirás com alguma razão, é bom e fácil falar, o difícil é fazer, de acordo, por isso é que se elegem equipas autárquicas. Bem a nossa conversa já vai longa e tens de te preparar para a festa de logo á noite, não penses que estou zangado contigo, és a terra da minha vida, tens as vistas mais belas que se podem desfrutar á beira mar, assim o homem as saiba preservar. Adeus minha querida Peniche.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Uma visita ao Museu


Desloquei-me ontem a Lisboa e aproveitei para na companhia de uma das minhas filhas visitar o Museu Colecção Berardo, era uma visita que já estava agendada para quando houvesse ocasião e assim foi, podendo ou não estar de acordo com o processo de constituição deste museu no CCB, devo confessar que o conjunto de obras é vasto e riquíssimo, e constitui um rico património agora ao dispor dos Portugueses que se interessem por arte, por isso já sabem quem for apreciador de arte moderna e contemporanea se forem para aqueles lados não deixem de ver esta colecção, eu pessoalmente não sendo um devoto apreciador de arte moderna gostei do que vi e mais, depois deste tempo todo continuo a dar razão ao Santana Lopes quando mandou construir o CCB.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Exposição de Instrumentos Auxiliares de Navegação e Pesca


Finalmente publico um post sobre a exposição de Instrumentos Auxiliares de Navegação e Pesca de Estêvão Alexandre Henriques, e teria sempre de publicar algo acerca deste assunto por três razões, porque sou amigo do Estêvão, porque colaborei dando a minha pequena ajuda na organização e catalogação das peças a expor para também complementar o importante trabalho feito pelo amigo Meireles, porque em si mesmo é um facto digno de registo e importante realçar. O Estêvão conseguiu reunir um acervo de instrumentos de navegação, principalmente bússolas, talvez único em Portugal, tanto em quantidade como em género e isso é sempre de valorizar e dar o máximo realce. Quando um homem complementa parte da sua vida dedicada a juntar, reparar, melhorar, recuperar aparelhos alguns dos quais já estiveram no fundo do mar durante muito tempo, temos de o aplaudir, é isso que estou a fazer neste momento com muita sinceridade.







































segunda-feira, 10 de dezembro de 2007