“RAIVA” é o nome do filme de 2018 realizado por Sérgio Tréfaut, em 2018, num preto e branco magnífico, para dramatizar ainda mais as cenas adaptadas do romance de Manuel da Fonseca, “Seara de Vento”, de facto se há um nome apropriado é RAIVA. O livro (baseado num caso real) retrata a forma como o Alentejo passava os anos 30/40 onde a fome imperava sobre os trabalhadores rurais e seus familiares, onde o latifundiário dominava tudo e predispunha a quem dava trabalho e a quem o negava. Palma, trabalhador rural, é injustamente acusado de ter roubado 3 sacos de cereal, (mais tarde numa situação dramática, o filho de Sobral o latifundiário, diz que foi ele), é preso, depois de solto ninguém lhe dá trabalho e a fome ainda se entranha mais naquela família, no casebre cada vez mais arruinado, com o forno do pão caído em ruínas, só as migalhas de pão imperam na velha casa, fruto de peditórios das mulheres pelos campos, entre elas Júlia a mulher de Palma, este resolve fazer aquilo que nunca pensou mas tinha de pôr pão na mesa e dedica-se ao contrabando. Certo dia, Elias Sobral pára o carro, para falar com o dono da taberna, e pergunta-lhe que novidades tem, porque sabe que o Palma já tem algo de comer e despesa feita na taberna, aparece à porta a figura imponente de Palma, que se limita a olhar para Sobral e cerra as mãos, este mete-se no carro rapidamente e jura que isto não fica assim. Então na missa, Sobral encontra-se com o sargento da Guarda Elias, e combinam entre os dois a forma de colocar um ponto final naquilo, Sobral acusa Palma de o ter ameaçado e o sargento obediente vai pôr em prática o seu plano, vai ao monte ao casebre e entra porta adentro perguntando por Palma, Júlia a mulher não sabe, e levam-na para a esquadra, lá depois de vasto interrogatório, ela cede e confessa que o marido anda no contrabando, mas foi levado por outros, já não vai a tempo, é encerrada na prisão onde os remorsos de ter denunciado o marido, da miséria que vivia e iria ainda ser pior, com um filho a precisar de muitos cuidados, e que a fome ainda ia carregar mais, rasgou a saia e numa cruzeta das grades enforca-se, a partir daqui desenrola-se todo o drama, Palma quando é preso, sabendo que a mulher morreu na cela, jura vingança a si próprio, depois do enterro simples e pobre da Júlia, pela calada da noite, ataca a tiro de caçadeira a casa do latifundiário, depois o drama desenrola-se para o casebre cercado, tudo acaba mais tarde. No monte, o vento seco e frio continua e é testemunha, de tudo o que leva um homem a este acto.
FGV

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