Como Camões interpretou a ingratidão sentida pelos sacrificios vividos (Estrofes 80 a 82)
Canto VII – Estrofe 80
Vede, Ninfas, que
escassos Jacobitas
Me dá o gado que tanto tempo apascento;
Que grandes galardões e que direitos
Me dão os gados que ando pasturando!
Vede que dotes me dão tão perfeitinhos
Os gados que eu ando costumando;
Que em lugar de descanso e de repouso,
Me dão novos trabalhos, sem repouso!
Canto VII – Estrofe 81
A este longo e penoso
caminho
Me trouxeram os fados inimigos;
E a este me reduz o meu destino,
Cheio de tantos e tão grandes perigos!
Em terra, a miséria e o desatino;
No mar, o naufrágio e os inimigos;
E, finalmente, o prémio que me dão
É ver-me pobre, sem
consolação!
Canto VII – Estrofe 82
E aqueles que o poder
têm na mão,
A quem o meu cantar tanto louvava,
Em vez de me darem o galardão,
Mostram-me a cara feia e esquiva.
Destruíram-me a esperança e a ilusão,
Que na pátria ingrata tanto cultivava;
Pois vejo que o favor e a valia
Se dão a quem tem
mais hipocrisia.

























